Redução da libido, perda de ereções espontâneas, cansaço, diminuição da força e dificuldade de concentração podem levantar a suspeita de deficiência de testosterona. No entanto, esses sinais também aparecem em distúrbios do sono, obesidade, estresse, depressão, doenças metabólicas e como efeito de determinados medicamentos.

Por isso, os sintomas de testosterona baixa não confirmam o diagnóstico isoladamente. Para reconhecer o hipogonadismo masculino, o médico precisa relacionar manifestações clínicas compatíveis a níveis de testosterona consistentemente reduzidos em exames realizados de maneira adequada.

Além disso, encontrar um resultado abaixo da referência em uma única coleta não confirma a necessidade de reposição hormonal. Horário, sono, alimentação, doenças recentes, medicamentos e método laboratorial podem interferir no resultado.

O que significa testosterona baixa?

Os testículos produzem a maior parte da testosterona sob o controle do hipotálamo e da hipófise. Esse hormônio participa da função sexual, da produção de espermatozoides, da manutenção dos ossos, da formação das células sanguíneas, da força e da massa muscular.

Quando a produção se torna insuficiente e existem sinais ou sintomas compatíveis, o médico pode diagnosticar hipogonadismo masculino. Entretanto, idade, queixas inespecíficas ou objetivos estéticos e esportivos não devem fundamentar o diagnóstico.

A produção de testosterona pode diminuir gradualmente ao longo dos anos. Contudo, envelhecimento e hipogonadismo não são sinônimos. Portanto, o médico precisa avaliar os sintomas, as doenças associadas, a composição corporal e os resultados laboratoriais confirmatórios.

Principais sintomas de testosterona baixa

As manifestações variam conforme a intensidade e a duração da deficiência, a idade do paciente e a causa envolvida. Além disso, alguns homens apresentam alterações laboratoriais discretas sem sintomas relevantes.

Os possíveis sinais e sintomas incluem:

  • Redução persistente do desejo sexual;
  • Diminuição das ereções espontâneas ou matinais;
  • Dificuldade de ereção;
  • Redução da produção de espermatozoides e infertilidade;
  • Cansaço e menor disposição;
  • Perda de força e massa muscular;
  • Aumento da gordura corporal;
  • Redução da densidade óssea;
  • Dificuldade de concentração;
  • Irritabilidade ou humor deprimido;
  • Aumento ou sensibilidade das mamas;
  • Redução de pelos corporais;
  • Ondas de calor em deficiências mais acentuadas.

Entre essas manifestações, a diminuição da libido, a redução das ereções espontâneas e algumas alterações da função sexual tendem a ser mais sugestivas. Ainda assim, nenhuma delas é exclusiva da deficiência de testosterona.

Sintomas sexuais merecem atenção

A testosterona participa do desejo sexual e de diferentes mecanismos relacionados à função reprodutiva. Por isso, queda persistente da libido, redução das ereções matinais e infertilidade podem justificar uma investigação.

Por outro lado, a disfunção erétil também pode estar relacionada a diabetes, hipertensão, alterações cardiovasculares, tabagismo, ansiedade, medicamentos ou problemas no relacionamento. Consequentemente, atribuir toda dificuldade sexual à testosterona pode atrasar a identificação de outras causas relevantes.

Além disso, libido e ereção não representam exatamente a mesma função. Um homem pode manter o desejo sexual e apresentar dificuldade de ereção por causas vasculares ou neurológicas, por exemplo.

Leia também: Libido masculina baixa: possíveis causas e quando investigar.

Cansaço e perda muscular são suficientes para o diagnóstico?

Não. Cansaço, redução do desempenho, aumento de gordura e perda muscular são sintomas inespecíficos. Embora possam aparecer no hipogonadismo, também são frequentes em pessoas com sono inadequado, sedentarismo, alimentação insuficiente, anemia, hipotireoidismo ou doenças crônicas.

Além disso, apneia do sono, obesidade e resistência à insulina podem provocar fadiga e acompanhar alterações hormonais. Dessa forma, a avaliação precisa investigar o cenário metabólico completo.

Portanto, o objetivo vai além de verificar um número no exame. O médico precisa compreender se os sintomas, a história clínica e os resultados laboratoriais apontam para a mesma direção.

Principais causas da testosterona baixa

A deficiência pode surgir por alterações nos testículos ou nos mecanismos cerebrais que controlam a produção hormonal. Em alguns casos, porém, fatores metabólicos, medicamentos e doenças agudas podem reduzir temporariamente os níveis.

Grupo de causasOnde ocorre a alteraçãoExemplosComo investigar
Hipogonadismo primárioTestículosAlterações genéticas, inflamações, traumas, cirurgia, quimioterapia ou radioterapiaTestosterona associada a LH, FSH, histórico e exame físico
Hipogonadismo secundárioHipotálamo ou hipófiseAlterações hipofisárias, prolactina elevada, doenças sistêmicas ou alguns medicamentosLH, FSH, prolactina e exames adicionais conforme a suspeita
Alterações funcionaisRegulação hormonalObesidade, privação de sono, doença aguda ou condição metabólica descompensadaAvaliação clínica, metabólica e repetição do exame no momento adequado
Medicamentos e substânciasDiferentes pontos do eixo hormonalOpioides, glicocorticoides e uso prévio de esteroides anabolizantesRevisão detalhada de medicamentos, suplementos e substâncias utilizadas
EnvelhecimentoModificações graduais em diferentes mecanismosRedução progressiva associada à idade e às condições de saúdeAvaliação de sintomas e confirmação laboratorial, sem diagnosticar apenas pela idade

Obesidade, sono e testosterona

A obesidade pode contribuir para níveis mais baixos de testosterona, principalmente por alterações metabólicas e na proteína que transporta hormônios no sangue. Entretanto, um valor reduzido nesse contexto não indica, automaticamente, uma falha permanente dos testículos.

Além disso, apneia do sono, jornadas noturnas e privação de sono podem afetar energia, libido e produção hormonal. Por isso, ronco intenso, pausas respiratórias e sonolência durante o dia merecem atenção.

Em alguns pacientes, tratar a causa funcional e melhorar a saúde metabólica pode favorecer a recuperação do eixo hormonal. Portanto, a investigação não deve começar pela reposição, mas pela compreensão do motivo da alteração.

Medicamentos podem reduzir a testosterona?

Sim. Alguns medicamentos e substâncias podem interferir na produção hormonal. Entre eles estão determinados opioides, glicocorticoides e esteroides anabolizantes usados sem indicação médica.

O uso de anabolizantes merece atenção especial. Inicialmente, essas substâncias elevam a exposição aos andrógenos. Em seguida, porém, podem suprimir a produção natural de testosterona e comprometer a fertilidade.

Por isso, o paciente deve informar ao médico todos os medicamentos, hormônios, suplementos e substâncias que utiliza ou já suspendeu. Contudo, não deve interromper nenhum tratamento de uso contínuo por conta própria.

Quais exames avaliam a testosterona baixa?

O exame inicial mais utilizado é a testosterona total. Em geral, o paciente realiza a coleta pela manhã, quando os níveis tendem a ser mais altos, seguindo as orientações médicas e do laboratório.

Se o resultado estiver baixo, a confirmação costuma exigir uma segunda coleta em outro dia. Além disso, o paciente deve estar em condição clínica estável, pois doenças agudas, privação de sono e outros fatores podem reduzir temporariamente o resultado.

Dependendo do caso, a avaliação pode incluir:

  • Testosterona total em duas coletas matinais;
  • SHBG, proteína transportadora dos hormônios sexuais;
  • Testosterona livre ou testosterona livre calculada, quando indicada;
  • LH e FSH para avaliar o controle da produção testicular;
  • Prolactina em situações selecionadas;
  • Função tireoidiana;
  • Hemograma e avaliação de possíveis anemias;
  • Glicose, hemoglobina glicada e perfil metabólico;
  • Outros exames conforme sintomas e histórico clínico.

Portanto, não existe uma lista universal que sirva para todos os homens. A seleção dos exames depende dos sintomas, da idade, dos medicamentos, da presença de obesidade, do desejo de ter filhos e dos resultados iniciais.

Como interpretar a testosterona total?

A interpretação deve considerar o método utilizado e o intervalo de referência do laboratório. Além disso, diferentes ensaios podem produzir resultados distintos para uma mesma amostra.

Por esse motivo, o médico não define o diagnóstico apenas comparando um resultado isolado com um valor encontrado na internet. O contexto da coleta, a presença de sintomas e a repetição do exame fazem parte da análise.

A SHBG também pode modificar a quantidade de testosterona total circulante. Consequentemente, em determinadas situações, o médico pode avaliar a testosterona livre ou calculada para compreender melhor o resultado.

Por que solicitar LH, FSH e prolactina?

Depois de confirmar níveis reduzidos de testosterona, o médico precisa investigar a origem da alteração. Para isso, LH e FSH ajudam a diferenciar problemas predominantemente testiculares de alterações no hipotálamo ou na hipófise.

Em seguida, o médico pode solicitar a prolactina em situações específicas, especialmente quando identifica sinais de alteração hipofisária. No entanto, ele indica outros exames ou métodos de imagem somente quando a avaliação clínica demonstra necessidade.

Assim, descobrir a causa é tão importante quanto confirmar o nível hormonal. Afinal, o tratamento pode mudar significativamente de acordo com a origem do problema.

Testosterona baixa e fertilidade

A deficiência hormonal pode reduzir a produção de espermatozoides. Entretanto, o uso de testosterona externa também pode suprimir essa produção e prejudicar a fertilidade.

Por isso, homens que desejam ter filhos devem informar esse objetivo antes de qualquer tratamento. A estratégia precisa considerar a causa do hipogonadismo e preservar, sempre que possível, a função reprodutiva.

Portanto, o médico não deve utilizar testosterona como tratamento empírico para infertilidade. Nesses casos, uma avaliação direcionada é essencial.

Quando a reposição pode ser considerada?

O médico pode considerar a terapia com testosterona quando confirma clínica e laboratorialmente o hipogonadismo e conclui que os possíveis benefícios superam os riscos. Ainda assim, médico e paciente devem tomar essa decisão em conjunto.

Antes de iniciar o tratamento, o médico avalia histórico clínico, fertilidade, hematócrito, saúde prostática, risco cardiovascular, distúrbios do sono e outras condições relevantes. Além disso, o acompanhamento periódico é necessário para verificar resposta, níveis hormonais e segurança.

Por outro lado, o médico não deve prescrever testosterona apenas para finalidade estética, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para essas finalidades.

Quando procurar um endocrinologista?

Procure avaliação quando houver redução persistente da libido, perda das ereções espontâneas, infertilidade, perda muscular inexplicada ou outros sintomas compatíveis. Além disso, um profissional deve interpretar qualquer resultado laboratorial alterado.

É especialmente importante buscar orientação quando os sintomas começaram após cirurgia, trauma testicular, quimioterapia, radioterapia, uso de anabolizantes ou medicamentos que possam afetar o eixo hormonal.

No Instituto Molinos, em São Caetano do Sul, a avaliação de saúde hormonal masculina considera sintomas, exames, histórico clínico, metabolismo, composição corporal e objetivos individuais.

Veja também: Andropausa: sintomas, diagnóstico e quando tratar a testosterona.

Dúvidas frequentes sobre testosterona baixa

A seguir, esclarecemos dúvidas comuns sobre sintomas, exames e tratamento:

Sintomas e diagnóstico da testosterona baixa

Redução da libido, diminuição das ereções espontâneas, infertilidade, perda muscular e baixa densidade óssea estão entre as manifestações possíveis. Contudo, o médico precisa relacionar os sintomas aos resultados dos exames confirmatórios.

Não necessariamente. Cansaço pode ter relação com sono inadequado, anemia, hipotireoidismo, estresse, depressão, obesidade e outras condições. Por isso, a avaliação precisa abranger diferentes possibilidades.

Em geral, não. O resultado costuma precisar de confirmação em outra coleta matinal, juntamente com a presença de sintomas compatíveis e a análise dos fatores que podem interferir no exame.

O intervalo de referência varia conforme o laboratório, o método e o contexto clínico. Portanto, ninguém deve interpretar um resultado isoladamente nem compará-lo apenas com referências encontradas na internet.

Tratamento, fertilidade e hábitos de vida

Não. Primeiro, o médico precisa confirmar o diagnóstico e investigar a causa. Em alguns casos, tratar obesidade, distúrbios do sono, doenças associadas ou rever medicamentos pode fazer parte da estratégia.

Sim. A testosterona externa pode reduzir a produção de espermatozoides. Por isso, homens que desejam ter filhos devem comunicar esse objetivo antes da definição do tratamento.

Atividade física, sono adequado e melhora da saúde metabólica podem favorecer o funcionamento hormonal. Entretanto, esses cuidados não substituem a investigação e o tratamento de uma doença que provoque hipogonadismo.

Conteúdo revisado por:

Dra. Viviane Molinos — Médica endocrinologista

CRM-SP 132.284 — RQE 106.138

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